segunda-feira, 30 de julho de 2012

... onde estão aqueles teus acusadores?




Como é impressionante o gosto que as pessoas têm em julgar o próximo, como o apontar de dedos expressa até mesmo sem falar uma sequer palavra “você esta errado, ou você fez algo errado”.

Até parece que errar não são coisas de seres humanos, falhos, faltos, fracos, necessitados, desprovidos e principalmente pecadores.

Prega-se nos dias de hoje uma falsa santidade, aparente, onde pessoas falam, mas não praticam, e quando praticam alguma coisa, ainda praticam da forma errada, pois em vez de serem humildes por poderem fazer a diferença, se tornam hipócritas reprendendo as demais.

Quem tem o poder ou a autoridade de apontar o indicador para alguém no sentido de expor esta pessoa ao erro, de acusa-la por alguma falha, e de fazê-la se sentir a pior entre todas as que habitam a face da terra, só existe uma pessoa que tem este poder e autoridade, e esta pessoa não veio para condenar ninguém e sim absolver aquelas que estão aprisionadas.

Acusar as pessoas por fazerem e por errarem é muito fácil, o difícil é perguntar se elas estão precisando de alguma coisa.

Jesus Cristo nos deixou o maior exemplo sobre o assunto quando uma mulher pega em flagrante adultério foi trazida até a ele pelos escribas e fariseus, e estes lhe disseram; 


Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando. E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes? João 8:4-5

Na verdade os escribas e fariseus queriam mesmo era testar a Jesus, pois a ironia de dizer-lhe Mestre era para querer questionar a Jesus nas coisas das quais ele tinha conhecimento, e jamais reconhecer que ele tinha tal autoridade.

Agora quem eram os escribas e os fariseus?

Escribas eram indivíduos com muito estudo e conhecimento, que dedicavam boa parte de suas vidas ao estudo e instrução da Lei (não necessariamente eram sacerdotes os da época de Jesus). Interpretavam e ensinavam as Leis de Moisés (chamada de Torá).

Fariseus eram indivíduos de uma classe social intermediária, e embora fosse minoria no Sinédrio, eram indispensáveis, pois tinham o apoio do povo judeu. Essa popularidade rendia-lhes muitas conquistas no conselho. Os fariseus acreditavam em vida e recompensa (punição) após a morte. Apenas os fariseus defendiam a “Tradição dos Antigos”, considerando-a como o desenvolvimento da Torá escrita.

Como podemos observar tanto escribas que eram os conhecedores e interpretes, e os fariseus que eram os políticos aclamados pelo povo, tinham o prazer de expor uma pessoa e o seu pecado, tinham a arrogância de se apresentarem em pé nas esquinas e sinagogas como os perfeitos, como os doutores da lei.

Estes que queriam ouvir da boca de Jesus o que ele achava sobre tal assunto, já que na lei de Moisés as tais eram ordenadas a serem apedrejadas.

Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

Na verdade Jesus estava ignorando a pergunta feita pelos escribas e pelos fariseus, pois sabia que aquilo não passava de uma provocação, Jesus então começou a escrever com o dedo na terra.

E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela. João 8:6-7

Acusadores são pessoas que se opõem a outras e não se contentam enquanto não verem os seus acusados serem totalmente expostos e humilhados, quando não destruídos.

Escribas e fariseus eram estes tipos de pessoas hipócritas, porque se achavam mais espirituais do que as outras oravam em pé nas esquinas e sinagogas, jejuavam e ficavam com seus semblantes abatidos para que pudessem se gabar mediante as pessoas se dizendo íntimos do reino, mas na verdade não passavam de salafrários disfarçados de piedosos, que andavam com cópias de manuscritos debaixo dos braços se fazendo de entendidos dos ensinamentos de Deus.

E como estes insistiam em perguntar-lhe, pois queriam apanha-lo em alguma falta; Jesus numa resposta sucinta e objetiva disse: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

Aquele significa a pessoa que está um pouco distante da pessoa que fala e da pessoa a quem se fala, tanto na ordem de lugar como na de tempo, isto quer dizer que existem duas pessoas no contexto do assunto, a que cometeu o delito e a que não cometeu, mas que se acha no direito de poder julgar aquela que cometeu, sendo que não pelo tipo de pecado, mas pelo pecado em si, seja no modo que for não existe tamanho e nem descrição, porque todos somos pecadores e cometemos pecados, e por esta razão Jesus diz AQUELE que dentre vós que esta sem pecado, ele não disse que cometeu (passado), mas que esta (presente) sem pecado, esta palavra significa não ter cometido pecado algum, naquele instante, que atire a primeira pedra.

É bom entendermos que o perdão se dá porque se cometeu (passado) o pecado, e o direito de falar algo se dá porque não (presente) se cometeu pecado algum, independente do tipo de pecado, então alguém poderia ter sido o primeiro a atirar a pedra se não tivesse cometido pecado algum durante aquele tempo.

E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra. João 8:8


O que Jesus escrevia eu não sei, gostaria de saber, alguns se atrevem a dizer que ele escrevia o pecado deles, outros dizem que escrevia sobre a sua missão, mas independente de qualquer coisa que escreveu o que escreveu serviu para alguém, como por exemplo, se tivesse escrito; Não julgueis para não ser julgado... (não estou dizendo que ele escreveu, mas que com certeza é uma ótima dica...) Mateus 7:1

Estas palavras de Jesus foram como um soco na boca do estomago, onde a pessoa que toma sai devagarzinho disfarçando que não doeu, mas que na consciência a dor é insuportável.

Quando ouviram isto, redarguidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio. João 8:9

Ué (interjeição) a galera começou a sair disfarçando um a um, a começar pelos mais velhos (experientes), até aos últimos que com certeza era a turma do agito, da aglomeração, dos Maria vai com outras, aqueles que pegam o bonde andando e querem sentar na janela, e que não sabem patavina nenhuma, mas que querem dar pitaco (palpite) para colocar mais lenha na fogueira, todos estes com o rabo entre as pernas começaram a se dispersar porque não tinham argumentos diante do Mestre Jesus, e enfim ficou somente Jesus e a mulher acusada de ser adultera.

E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão àqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? João 8:10

Jesus então pergunta a mulher, “onde estão àqueles teus acusadores?”.

O que Jesus queria dizer com isto? Aqueles teus acusadores...

Todos somos iguais perante Deus, ele não faz acepção de pessoas por nada nesta vida, independente de raça, cor, clero, língua, pecados, ou qualquer outra coisa que aos nossos olhos nos diferenciem uns dos outros.

Onde eles estão? Os acusadores! Foram embora? Mas por quê? Não eram os bons, os perfeitos, os santos, os adoradores, os pentecostais, os evangélicos, os gospel?

E Jesus ainda disse a mulher; Ninguém te condenou?

Quem dentre os homens tem o poder para condenar o próprio homem no âmbito espiritual? Não existe ninguém com este poder, porque todos pecaram e foram destituídos da glória de Deus.


E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.  João 8:11

Se Jesus que poderia fazer isto, embora sendo nosso advogado e não juiz, não o fez, o porquê então que muitas pessoas se acham no direito de fazer, só porque pensam que tem um chamado ministerial ou um ministério, uma posição eclesiástica ou não, se acham no dever de apontar o dedo para o pecador reprendendo, julgando e muitas vezes até mesmo condenando, colocando-o em disciplina, excluindo do hall de membros e eclesiástico da igreja, lançando-o na sarjeta em vez de tira-lo de lá, pessoas que muitas vezes estão a beira do abismo, e com uma simples palavra é lançada para nunca mais sair de lá.

Por isso que precisamos ter cuidado com as nossas palavras, precisamos ter cuidado com o que ouvimos da boca dos outros, precisamos ter cuidado para não estarmos como os demais, não sabendo da situação, mas mesmo assim estamos com as pedras em nossas mãos, prontos para atirar à primeira, e não é porque ouvimos dos mais experientes e dos mais espirituais que temos que nos armar para julgar alguém, a justiça não pertence ao homem e sim a Deus, é por esta razão que cada um de nós dará conta de si próprio no dia do juízo final, pois não podemos ser diferentes a aquilo que Deus quer, pois a ele pertencem todas as coisas, inclusive o poder.

Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence à glória e poder para todo o sempre. Amém. I Pedro 4:11

Postar um comentário