domingo, 27 de janeiro de 2013

A MENTIRA NOSSA DE CADA DIA...


Pai meu, que estás nos céus, santificado seja o meu nome; Venha o meu reino, seja feita a minha vontade, assim na terra como no céu; O meu pão de cada dia me dai hoje; E perdoa as minhas dívidas, assim como eu não perdoo aos meus devedores; E não me induzas à tentação; mas livrai-me do mal; porque meu é o reino, e o poder, e a glória, para sempre...


Como é impressionante vermos nos dias atuais, tão julgados modernos, super-desenvolvidos, avançado nos séculos, cheios de ISO, pessoas que se dizem ser o que na realidade não são, pessoas que só olham para o seu próprio umbigo, preocupadas com o seu pão diário, não se importando se existem mais pessoas que necessitam do mesmo, em suas preces o eu, o meu, transpassa o nosso, anula a unidade, sufocando a comunhão e a união.

Inadmissível, depois de tantos séculos de exemplos, historias, relatos e fatos, vermos pessoas preocupadas em se dar bem, em ter mais do que outros, em possuir o dobro, o triplo, ou até mesmo cem vezes mais, como é impressionante vermos a minoria preocupada com o planeta, com as pessoas, com o próximo, em vez, do que se vê, vemos a maioria correndo atrás do que lhe pode trazer prazer e satisfação pessoal.

Não bastaram os maus exemplos dos tiranos, dos déspotas, dos violentos, dos aproveitadores, daqueles que marcaram vidas com a violência, que deixaram marcas irreparáveis e tão profundas que nem mesmo o tempo consegue apagar, não basta vermos diuturnamente as noticias das mesmas coisas acontecendo e muitas vezes em proporções maiores, a violência se multiplicando por razões fúteis, trazendo consequências por atos inconsequentes, usando sempre as pessoas inocentes como alvos principais.

De quem é a culpa de tantas atrocidades; os ateus culpam a Deus, os religiosos o diabo, os fanáticos culpam as demais religiões, os que não são de nenhuma opinião formada pedem a pena de morte, os governantes constroem centros de... Ou o que é para ser uma ressocialização, que acaba sendo mais um covil para bandidos, ou até mesmo um esconderijo para profissionais do crime organizado, onde a cada dia que se passa cresce o numero de delinquentes formados nas escolas da vida bandida, mas quem realmente é o culpado de todas estas coisas, se é que temos um culpado único, pois acredito que não existe um só, mas sim vários culpados.

A minha, a sua, se transforma em nossa culpa, poderíamos até dizer de peito aberto ou cheio, eu não dei nenhuma arma nas mãos dos assassinos, diria eu a mesma coisa, eu não ofereci drogas a ninguém, diria eu a mesma coisa, pagos os meus impostos, digo eu a mesma coisa... Trabalho, também eu, sou honesto, também eu, não faço mau para ninguém, também eu, assim como qualquer pessoa de bem todo mundo seria, mas o problema não esta ai, e sim em muitas vezes só querermos o nosso bem, o mau esta em acharmos que Deus deve ser por todos, enquanto somos cada um por si, o mau esta em pensarmos no eu, enquanto o nós fica de lado, o mau esta sempre em acharmos que todos são iguais, quando são diferentes, o mau esta em acharmos que estamos sempre certos, quando na mais pura realidade estamos errados.


Vivemos a mentira nossa de cada dia, apontando, julgando, condenando, achando sempre que os outros estão errados, que somente os outros praticam o mau, pecam, erram, e que o eu, ou melhor, dizendo EU, não faço isso, não roubo, não mato, não minto, não compactuo com o pecado, não tolero o mal, não consinto com os ímpios, não ando no caminho dos pecadores, e nem me assento a rodas dos escarnecedores, antes o meu prazer é na verdade, onde EU medito dia e noite.

Bom seria se nossas vidas fossem assim mesmo, onde todos e não somente alguns, onde a maioria e não somente as minorias agissem de uma maneira única, a certa, a correta, a mais amável, a mais pacifica, a mais honesta, a mais de todas as maneiras pudessem nos levar a viver e desfrutar de uma vida integra, reta e verdadeira, onde todos e não somente alguns pudessem se preocupar com uma única coisa, com aquilo que pertence a todos nós, o direito de viver, de viver uma vida de verdade, de igualdade, de parcialidade, de cumplicidade, onde todos seriam iguais, não no aspecto e sim nas atitudes, se preocupando em fazer sempre o bem e jamais o mau.

Para isso acontecer, basta a cada um não deixar o mau que existe dentro de si ser mais forte do que o bem, para que cada pessoa se torne cada vez melhor em todas as coisas, para que cada pessoa possa se preocupar com o coletivo e não somente com o unitário, que o meu eu possa existir em prol de todos nós, se assim cada um o fizer com certeza viveremos e desfrutaremos daquilo que todos querem, uma vida melhor, não para si mesmos e sim para todos, sei que é difícil falar sobre isso, pois nem todos pensam iguais, mas acredito não ser impossível de acontecer, se todos pensarem não somente em si, mas nos outros, com certeza viveremos da forma que todos querem, quando são unos, pois querendo o bem para nós mesmos, deveremos querer para todos...
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