quarta-feira, 22 de julho de 2015

EI VOCÊ...


Este título até parece estar falando em outra língua, ou pode também ser interpretado como um título sem pé e sem cabeça, ou pode também ser interpretado da forma como você quiser, mas na verdade para mim, é algo que me chamou a atenção quando estava assistindo a um comercial de venda de automóvel, a qual não vou citar a marca por pelo menos duas razões, primeiro não tenho autorização para falar da mesma e segundo eles não irão me pagar nada para fazer merchandising da marca, se pelo menos me dessem um veiculo como bonificação quem sabe então que não era uma má ideia.

Mas enfim, o que prestei atenção neste comercial foi que ele é totalmente voltado para você, foi criado especialmente para você, veja quanto privilegio, que consideração eles tem por você, como você é uma pessoa importante para eles, e tenho mais a te dizer, não são somente eles que tem interesse em você, existem milhares de segmentos por ai a fora que tem um interesse pessoal em você, são inúmeras e diversas propagandas que estão voltadas em você, o foco é você, o objetivo é você, você é o alvo a ser atingido e alcançado, que coisa mais maravilhosa, tudo de bom, algo impressionante, uma parceria que tem tudo para dar certo, o casamento perfeito entre você, a presa, e a interessada em você, o predador...

A importância dada a alguém, no caso a você, no fundo de tudo existe certo interesse, seria o mesmo que lançar uma rede ao mar para capturar alguns peixes, existem aqueles que interessam e também os que não interessam, e quando o pescador sai para a pescaria o seu objetivo é sempre o peixe grande, pois, os pequenos são descartados, então não quero te desiludir, mas não pense que por você ser o objetivo que você também não possa ser descartado, tudo pode acontecer, pois, como também tudo depende das tuas condições, se você pode ou não, existe um porém em toda esta historia, por mais que você seja importante e seja o objetivo para eles, não significa que você ira conseguir algo do qual lhe interessa, possa ser interessante a eles desde que você tenha condições, caso contrario já não é tão interessante assim, é claro que entendo que o uso da palavra “você”, seja subjetiva, e não esteja voltada para todos, como no exemplo da pesca, a um certo interesse e um publico alvo a ser atingido, só que na mais pura verdade isto depende de condições, e dependendo disto muitos que não tem condições estarão distantes de conseguir algo, pois você pode ser o você que não lhes interessa, o você o qual eles irão ignorar, não pessoalmente porque seria tolice fazer isso, mas, iriam ignorar não lhes permitindo o favorecer das condições que poderiam te beneficiar, pois a questão do beneficio maior é de interesse deles mesmo, por esta razão que este você é filtrado, é claro que entendo que em alguns casos se faz necessário isto, é preciso selecionar alguns vocês, mas o que me intriga é que te dão uma oportunidade, te oferecem algo, te instigam, te despertam, mexem com o teu brio e descartam se você não atende as qualificações exigidas, e isto eu tenho notado em quase tudo, ou modéstia parte em tudo.

É claro que devido à desigualdade social nem todos poderão desfrutar de alguns benefícios, nem todos irão desfrutar daquilo que muitos desfrutam, apesar de sermos todos iguais humanamente, somos totalmente diferentes conscientemente e racionalmente, existe uma desigualdade social terrível que nos distância da nossa própria espécie, uma barreira colocada entre cada um por si, uma ponte que se quebrou e que poucos estão interessados em concertá-la, as propagandas emitem uma impressão de que todos têm condições, mas, sabemos que na verdade não é isso, assim como também fazem de conta que em meio a todos, todos são iguais, mas, como também na mais pura verdade também não é isso. Vivem em prol de si próprios, vivem pensando no eu, no meu, usam a palavra você porque querem generalizar, ampliar e estender as redes, ao mesmo tempo em que também desgeneralizam você, pois, na verdade o que interessa mesmo é saber se você tem as qualificações e as condições exigidas, caso contrario você é descartável, porque o que interessa é saber se você tem condições, eles tem o produto, não muitas vezes satisfatório, não muitas vezes o melhor e nem muitas vezes o que você esta procurando ou precisando, o importante é fazer você adquirir, independente do que possa acontecer depois, se as tuas condições serão as mesmas ou não, o que vale é a sua condição do momento, o depois é um outro assunto a ser pensado.

Propaganda enganosa é crime de acordo com o CDC (Código Defesa Consumidor); conceitua e proíbe a publicidade enganosa no art.37 - par§. 1 – toda e qualquer propaganda que for inteira e parcial falsa ou que omitir algumas informações que seja capaz de induzir o consumidor ao erro relativamente a quaisquer características do produto ou serviço em questão. Além de constituir crime, cuja pena é definida pelo art. 66 do citado dispositivo legal, a propaganda enganosa ainda responsabiliza civilmente o fornecedor.


Que neste caso acredito não ser caracterizado como propaganda enganosa, caso a interpretação se dê ao motivo de não estar ferindo nenhuma das regras citadas acima, pode ser que sim e pode ser que não, por isso digo, cabe a averiguação minuciosa da interpretação, claro que aparecerão os porquês e a quem diga que não é bem assim, que isto é precipitação, também não estou dizendo que seja enganoso lançar o “você” ao vento e aquele que pegar o que foi jogado seja você, mas, o que não podemos negar é que você se torna algo comum, é a mesma coisa que estarmos no meio de uma multidão de pessoas e gritarmos “EI VOCÊ”, trocentas (linguajar próprio que significa um número incontável) pessoas irão olhar pensando que você esta chamando elas, quando na verdade você esta chamando uma única pessoa, a qual esta pessoa é; Ei você, você mesmo... Não se esqueça que você é o alvo a ser atingido não somente neste caso, mas sim em todos eles, portanto nada melhor de que quando formos se referir a alguém seja necessário pelo menos sabermos o seu nome, e não o seu apelido, muito menos a sua característica, porque o nosso costume é copiarmos aquilo que os outros fazem, quando na verdade devemos fazer aquilo que deve ser feito...
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